Exaustor de cozinha: como escolher o modelo ideal (Portugal)

Um bom exaustor de cozinha (também chamado “coifa” em alguns sites, mas em PT-PT é mais comum “exaustor”) faz 3 coisas: retira vapores, reduz cheiros e captura gordura antes de ela se espalhar por móveis e paredes. O segredo é escolher pelo tipo de instalação, modo de funcionamento (extração ou recirculação) e especificações certas: caudal (m³/h), ruído (dB) e qualidade dos filtros.


1) Tipos de exaustor: qual combina com a tua cozinha?

Escolhe primeiro o “formato” (isto corta 80% da dúvida):

  • Chaminé / Parede (decorativo): clássico e eficiente para fogões/placas encostadas à parede.

  • Ilha: para cozinhas com placa numa ilha (precisa de bom caudal e instalação bem planeada).

  • Encastre / Integrado no armário: discreto, ideal para cozinhas minimalistas.

  • Telescópico (extraível): compacto, bom custo/benefício para espaços pequenos.

  • Teto (ceiling hood): visual limpo, mais exigente na instalação.

  • Downdraft (na bancada): solução premium quando não queres exaustor por cima da placa.


2) Extração para o exterior vs recirculação: qual é melhor?

Há dois modos de funcionamento:

A) Exaustor com extração (ducted) — ar sai para o exterior

Normalmente é a opção mais eficaz, porque remove o ar carregado de vapor/odores para fora.

B) Exaustor de recirculação (ductless) — ar volta para a cozinha filtrado

O ar passa por filtro de gordura + filtro de carvão ativado (para odores) e regressa ao ambiente. É a solução quando não dá para furar/ligar conduta, muito comum em apartamentos.

Dica de eficiência: a Comissão Europeia recomenda, para modelos de recirculação, substituir filtros de odores e limpar regularmente para manter a eficiência alta.


3) O número 1 que interessa: caudal (m³/h) — como calcular sem errar

O caudal indica quantos m³ de ar por hora o exaustor consegue movimentar.

Regra simples (funciona muito bem):
Volume da cozinha (m³) = comprimento × largura × altura
Caudal mínimo ≈ volume × 10 (10 renovações de ar/hora)

Se cozinhas muito (fritos, grelhados) ou tens cozinha aberta para a sala:
volume × 12 (mais “folga”).

Exemplo rápido: 3 m × 3 m × 2,5 m = 22,5 m³ → 22,5 × 10 = 225 m³/h (mínimo)


4) Ruído (dB): o que é “silencioso” de verdade?

Na etiqueta UE do exaustor aparece o ruído (em dB) no modo de uso normal (velocidade máxima “normal”).

Referência prática para o cliente:

  • ~40–55 dB: baixo/agradável

  • ~55–65 dB: médio

  • 65–70+ dB: já incomoda em conversas

Dica útil: exaustor “barulhento” muitas vezes é culpa de conduta mal feita (diâmetro reduzido, muitas curvas, tubo longo).


5) Etiqueta energética do exaustor: como ler (e o que comparar)

Exaustores têm etiqueta energética da UE com:

  • Classe de eficiência energética (escala indicada no material oficial)

  • Consumo anual (kWh/ano)

  • Eficiência aerodinâmica (Fluid Dynamic Efficiency)

  • Eficiência de iluminação

  • Eficiência de filtragem de gorduras

  • Ruído (dB)

Se queres um “padrão premium”, o Topten usa como referência mínima:

  • energia ≥ A+,

  • eficiência aerodinâmica ≥ A,

  • filtragem de gorduras ≥ C,

  • iluminação ≥ A.


6) Instalação sem erros: altura, conduta e “boost”

Altura recomendada (regra geral)

Um guia da Faber indica:

  • gás: pelo menos 75 cm

  • elétrica/indução: pelo menos 65 cm
    (confirma sempre o manual do modelo, porque pode variar).

Conduta: diâmetro e percurso importam MUITO

  • Evita reduzir o diâmetro: se o exaustor foi pensado para 150 mm e metes 120/125 mm, perdes performance e sobe o ruído.

  • Mantém o tubo o mais curto e direito possível (menos curvas = melhor).

Por que o modo “Boost” é temporário?

Há requisitos de ecodesign na UE: exaustores com caudal muito alto (acima de 650 m³/h) devem reverter automaticamente para ≤650 m³/h após um período (o “boost” não fica para sempre).


7) Manutenção: cheiros persistentes quase sempre são filtros

  • Filtro de gordura: limpar mensalmente (ou quando o indicador pedir).

  • Filtro de carvão (recirculação): trocar tipicamente a cada 3–6 meses (depende do uso).


Checklist rápido (copy perfeito para UMBOX)

Antes de comprar, confirma:

  1. Largura do exaustor igual ou maior que a placa

  2. Modo: extração (se possível) ou recirculação (se não houver conduta)

  3. Caudal calculado: volume × 10–12

  4. Ruído aceitável em dB (ideal < 65 dB no “normal max”)

  5. Etiqueta: boa eficiência aerodinâmica + boa filtragem de gorduras

  6. Conduta correta (diâmetro e percurso)


FAQ

Qual é o melhor: exaustor com extração ou recirculação?
Extração tende a remover melhor vapores/odores; recirculação é útil quando não dá para conduta e depende de filtros de carvão.

Como calcular o caudal (m³/h) do exaustor?
Volume da cozinha (m³) × 10 (ou ×12 se cozinhas muito / cozinha aberta).

De quanto em quanto tempo troco o filtro de carvão?
Em regra, 3–6 meses, conforme uso; manter filtros em dia melhora eficiência.

Porque o exaustor faz muito barulho?
Muitas vezes é conduta com diâmetro reduzido, percurso longo ou muitas curvas — aumenta ruído e reduz caudal útil.

A etiqueta energética do exaustor mostra o quê?
Classe de eficiência, consumo anual (kWh), eficiência aerodinâmica, iluminação, filtragem de gorduras e ruído em dB.

O modo Boost pode ficar ligado sempre?
Na UE, há requisitos de ecodesign que fazem o boost reverter automaticamente em exaustores muito potentes.