Que potência de gerador preciso? Guia simples (com exemplos para Portugal)

A pesquisa mais comum antes de comprar é: “que potência de gerador preciso”. E faz todo o sentido — porque o gerador certo não é o “mais forte”, é o que aguenta os seus consumos reais, incluindo os picos de arranque.


1) O erro nº1: esquecer os picos de arranque (motores)

Motores e transformadores podem exigir picos muito altos ao arrancar. A Atlas Copco explica que correntes de arranque associadas a motores/transformadores são um dos pontos mais importantes no dimensionamento, e refere que podem ser várias vezes a corrente em carga.

O que isto significa em casa:

  • Frigorífico, bomba de água, alguns aparelhos com motor → exigem margem para arrancar sem “afogar” o gerador.


2) Método prático em 4 passos (o mais “à prova de erro”)

Passo A — Liste o que quer ligar “ao mesmo tempo”

Ex.: frigorífico + router + luzes + carregadores + TV.

Passo B — Some a potência em funcionamento (W)

Use a etiqueta do equipamento (W) ou o manual.

Passo C — Identifique o maior “motor” (pico)

Frigorífico? Bomba? Compressor?

Passo D — Adicione margem

A GRUPEL (fabricante) refere uma abordagem prática: para acautelar picos de arranque (bombas/motores), “normalmente acrescenta-se 25%” e alerta também para não sobredimensionar ao ponto de operar sistematicamente com carga muito baixa.

Além disso, a GRUPEL alerta que operar um gerador abaixo de ~30% de carga pode trazer problemas ao motor.

Resumo:
✅ Margem ajuda com picos
✅ Mas “gigante sempre a vazio” também não é ideal


3) kW vs kVA (sem confusão)

  • kW → potência útil (o que “faz trabalho”)

  • kVA → potência aparente (na prática, muitas fichas de gerador vêm em kVA)

Se o anúncio só dá kVA, verifique se também indica kW ou o fator de potência. Para comparar modelos diferentes, tente comparar sempre a mesma unidade.


4) Exemplos de dimensionamento (orientativos)

Estes exemplos são para orientar a escolha e a pesquisa (“comprar gerador para…”). Para comprar com 100% de certeza, confirme os watts nas etiquetas dos seus equipamentos.

(1) Kit essencial para casa (emergência)

  • Frigorífico + router + iluminação LED + carregadores + TV
    ➡️ Normalmente, muitas pessoas apontam para a gama 2–3 kVA (especialmente inverter, por ruído/eletrónica) — mas confirme o pico do frigorífico (ponto crítico). (Picos/motores: ver Atlas Copco)

(2) Casa + alguns extras

  • Essenciais + micro-ondas ocasional + mais iluminação + portátil
    ➡️ Muitas vezes começa a fazer sentido 3–5 kVA, dependendo do uso em simultâneo e picos.

(3) Obra/terreno (ferramentas)

  • Rebarbadora + berbequim + luz + carregadores + (às vezes) compressor
    ➡️ Aqui o “vilão” costuma ser o motor/arranque: dimensione com margem, porque as correntes de arranque podem ser muito elevadas.


5) Gasolina vs gasóleo: escolha pelo tipo de uso

Uma regra prática muito divulgada no setor de aluguer/equipamentos:

  • Gasolina → uso mais esporádico e potências mais baixas

  • Gasóleo (diesel) → mais indicado para uso intensivo/alta potência

A LoxamHune, por exemplo, descreve grupos a gasolina como adequados para uso esporádico e grupos a diesel como mais potentes e ideais para uso intensivo.


6) Checklist final para comprar (com intenção de compra)

  • Liste consumos em simultâneo

  • Marque os equipamentos com motor (picos)

  • Aplique margem (ex.: +25% para acautelar picos)

  • Evite ficar sempre abaixo de ~30% de carga por longos períodos

  • Escolha tipo: inverter (eletrónica/ruído) vs convencional (obra/uso simples)